Quiere comprar pastillas de potencia Venda De Viagra Brasil La entrega de tabletas se produce en la normal imperceptible el sobre y se respeta la confidencialidad de la.

Educação Intercultural indígena: identidade, direitos e cidadania

Tv Cultura

Educação Intercultural indígena: identidade, direitos e cidadania

Publicado em 20/04/2017
Educação Intercultural indígena: identidade, direitos e cidadania

Foto: Nailana Thiely

 

“Eu me formei em bacharel em Direito em 2016 e estou estudando para passar na prova da OAB para lutar pelas causas coletivas dos indígenas. Lutar para assegurar saúde, educação, saneamento para o povo Tembé, o meu povo, também para os povos indígenas da nossa etnia”. Esta é a declaração de Alan Tembé, um jovem de 29 anos, primeiro indígena a se formar em Direito pela Universidade Federal do Pará no segundo semestre do ano passado.

 

Alan voltou para sua aldeia, a comunidade Jeju, localizada em Santa Maria do Pará e que fica distante uns 30 quilômetros da sede do município da região nordeste paraense. Lá, ele estuda incessantemente para ser aprovado na prova da OAB-PA, em dezembro, para conseguir o registro de advogado.

 

O Tembé concluiu o curso nos cinco anos previstos para a graduação, mas confessa que sentiu muita dificuldade, especialmente, na elaboração do projeto de conclusão do curso. “Como indígena, eu senti muita dificuldade, porque saí da educação básica pública e fui para a universidade, sem passar por nenhum curso preparatório ou de adaptação. Eu não tinha ideia do que seria a universidade. Tive muita dificuldade em entender os textos de direito, interpretar as leis sem quase nenhum acompanhamento. Pensei em desistir, mas resisti pelo meu povo Tembé”, descreve Alan.

 

Ele ressalta, que precariedade em que as famílias indígenas são obrigadas a conviver nas aldeias é o motivo mais forte para que muitos índios se levantando, lutando cada dia mais pela educação superior. “Falta ao estado brasileiro crescer e ter mais responsabilidade em relação à educação dos povos indígenas”, critica.

 

Apesar de Santa Maria do Pará ser mais próximo da capital, as escolas públicas que atendem aos indígenas não incluíram ainda a educação bilíngue intercultural. “Minha formação em direito servirá para lutar pela inclusão da comunidade Jeju nesta formação”, assegura o indígena bacharel.

Como inserir os indígenas no ensino superior, levando em conta suas especificidades?

 

Em mais de 500 anos de descobrimento do Brasil, poucos são os indígenas que tiveram acesso ao ensino superior. Segundos dados do Ministério da Educação, dos cerca de 2 milhões de estudantes do ensino superior público brasileiro, os indígenas não chegam nem a 4 mil estudantes.

 

Na Universidade Estadual do Pará (UEPA), desde 2012 indígenas de seis etnias são integrados no curso de Licenciatura Intercultural. A segunda turma receberá o diploma de graduação em junho deste ano. A primeira formação foi comemorada em abril de 2016, com 72 índios, que já atuam em suas aldeias em educação básica bilíngue (português e na língua de origem da etnia dos povos gavião e tembé).

 

A coordenadora do curso, professora Joelma Alencar, explica que os gaviões, da região de Marabá e os tembés, do nordeste paraense, foram os primeiros a serem incluídos. São indígenas que em sua maioria, já atua no magistério indígena em escolas nas aldeias. “A graduação bilíngue é uma reivindicação histórica dos indígenas, que precisam atuar nas aldeias com a educação mais qualificada”, esclarece a professora.

 

Neste final de semestre os indígenas das aldeias wai-wai e mapuera, da região do baixo-amazonas receberão seus diplomas. Mas, a professora admite que ainda há muitos desafios na educação superior indígena na UEPA em todas as universidades públicas na Amazônia. “A falta de estrutura é a maior dificuldade. Imaginem indígenas que saem de aldeias em Oriximiná, Jacareacanga, levam dez dias para chegar no campus para estudar. Não é nem um pouco fácil. O deslocamento é a parte mais complicada”, especifica Joelma Alencar.

 

A professora esclarece que também falta mais investimento do Ministério da Educação na educação superior indígena, pois não há bolsa de permanência para que os alunos tenham com que se manter nas cidades.
Em termos pedagógicos, ela aponta que há dificuldades dos professores com a língua dos índios e dos estudantes com a língua portuguesa. Mas, são questões que são vencidas com muita persistência pelos dois lados. Especialmente, os índios.
Para a formação pedagógica bilíngue na Uepa, primeiro os docentes passam por um período de estudo da cultura e história das etnias que farão parte do curso. São orientados sobre como desenvolver as aulas.

 

Atualmente, explica Joelma Alencar, o conselho superior da Uepa, estuda uma forma de implantar cursos para os indígenas nas áreas tecnológicas e de saúde, esta última, uma das maiores carências nas aldeias. Formar enfermeiros, médicos, nutricionistas específicos para atender a saúde indígena é um sonho que os índios acalentam, mas que ainda é apenas um sonho.
Enquanto outras áreas ainda são apenas projetos, já é real a pós-graduação em Licenciatura Intercultural na Uepa. A primeira turma de indígenas já começou em março deste ano.