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"Além de negra, eu era a filha da macumbeira"

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"Além de negra, eu era a filha da macumbeira"

Desde 2003, Mametu Muagile, combate ao racismo religioso no Pará
Publicado em 08/11/2017
Desde 2003, Mametu Muagile, combate ao racismo religioso no Pará
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Foto: Camila Lima/ Portal Cultura

 

Se o racismo de modo geral ainda é um dos maiores problemas sociais e estruturais do Brasil, o racismo religioso tem se tornado uma prática cada vez mais frequente na sociedade. Em menos de dois anos, nove afro-religiosos foram assassinados no estado do Pará e os movimentos em defesa das religiões de matriz africana, cobram por ações mais concretas dos órgãos competentes.

 

“Quando o assunto envolve mortes de pessoas negras, afro-religiosas e gays, nós percebemos dificuldades no enfrentamento e na atuação dos órgãos competentes. Quase todos os rapazes que foram assassinados, eram além de afro religiosos, também homossexuais”, explica a ativista pelo direito da igualde racial, Mametu Muagile, que desde 2003 atua no combate ao racismo religioso no bairro da Terra Firme, periferia de Belém, como coordenadora do IBAMCA (Instituto Bamburucema de Cultura Afro/Religiosa).

 

Durante a visita do Presidente Internacional dos Direitos Humanos a Belém em abril deste ano, Mametu conta que entregou pessoalmente no dia 6 de outubro “um documento, que relata todas as mortes de afro religiosos no estado do Pará, cobrando por providências e agilidade nas investigações”.

 

Mas não é de hoje que Mametu convive com o racismo. Desde a infância, ela conta que teve poucos amigos quando era criança. “Minha mãe era umbandista e eu sofro desde criança com o preconceito e a opressão das pessoas. As crianças não brincavam comigo, porque além de negra, eu era a filha da macumbeira, como diziam antigamente. Perdi muita amizade por causa disso, foi a época que eu mais sofri racismo”, lamenta.

 

A infância passou e os tempos de escola também, e hoje, Mametu atua no combate ao racismo religioso na Terra Firme. “O racismo religioso aqui na área é muito grande.  Eu já realizei atendimentos para quase todos os moradores da minha rua, a maioria são católicos e evangélicos. Até freira eu já recebi na minha casa. Eles vêm à procura de banho de ervas, mas antes de entrar na minha casa, eles sempre olham para um lado e outro com medo dos julgamentos”, conta ela.

 

Foto: Camila Lima/ Portal Cultura

 

Mas se para alguns entrar na casa de uma mãe de santo é motivo para constrangimento, para outros, estar em contato com Mametu é motivo de empoderamento por meio das ações realizadas pelo IBAMCA. “O foco do nosso espaço é a cultura afro. Aqui nós realizamos rodas de conversas sobre a Lei Maria da Penha para mulheres negras, oficinas de maquiagens e tranças de cabelo. Além de  brincadeiras, dinâmicas e café da manhã para as famílias”, conclui. 

 

IBAMCA (Instituto Bamburucema de Cultura Afro/Religiosa)

Localizado na Terra Firme, o IBAMCA surgiu em 2003 com o objetivo de promover atividades culturais e artisticas dentro da temática africana. Entre o público atendido pelo Instituto, estão mulheres negras, moradoras da localidade. Debates sobre a Lei Maria da Penha e o empoderamento da mulher negra, estão entre as principais atividades realizadas pelo espaço.