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Memória LGBTI: como foi a 1° Parada do Orgulho de Belém?

Memória LGBTI: como foi a 1° Parada do Orgulho de Belém?

Ativistas do evento contam como ocorreu o evento e qual influência dele na história do Movimento LGBTI de Belém
Foto em destaque

A 1° Parada do Orgulho LGBTI+ de Belém foi realizada em 28 de junho de 2002, organizada pelo Movimento Homossexual de Belém (MHB) no início do novo século, com um outro nome, na época chamada de Parada do Orgulho Gay. O movimento se expandiu, as paradas aumentaram e conquistaram cada vez mais o público, com espaço em outros municípios paraenses que reivindicaram a rua como um local também do LGBTIs. 

 

Junto com essa ampliação também vieram as demandas da comunidade LGBTI+, por direitos e locais de fala, para serem representados e protegidos pelo Estado. A marcha do orgulho é um momento de festejar, com grandes shows e performances, mas vai além, fala sobre a voz de uma comunidade que ainda morre por ser ela mesma, que conquistou muito, a custa de suor e sangue, e tem um longo caminho a percorrer.

 

Conversamos com algumas pessoas que estão no movimento LGBTI+ paraense desde os primeiros passos, que ajudaram a construir aquele momento e lembram como foi o dia. Então prepara o melhor tênis e separa a água, porque para marchar na 1° Parada do Orgulho LGBTI+ de Belém vamos sair do Centro Arquitetônico de Nazaré (CAN), por volta de 14h, em direção da Praça da República, atravessando várias das ruas de Belém.

 

Beto Paes, secretário geral do Movimento LGBTI+ do Pará e conselheiro do Conselho Estadual da Diversidade da SEJUDH

Na época da Primeira Parada do Orgulho LGBTI+ de Belém eu era ativista do GAPA Pará (Grupo de Apoio e Prevenção a AIDs do Pará). Acho que aquele momento a gente pode considerar como a gênese do movimento LGBTI+ do Pará porque foi a partir disso que muitos grupos começaram a se firmar em Belém, e dessa junção vieram as outras paradas e movimentos. 

 

Esse momento foi muito importante para marcar que aqui em Belém do Pará existia a resistência LGBTI+, foi um momento em que vimos a necessidade de mobilizar pessoas sobre a pauta dos direitos humanos da população LGBTI+. É importante a gente notar que naquele momento a gente conseguiu dar origem a um movimento que cresceu muito e se tornou extremamente engajado e essencial para conquista de direitos LGBTIs no Pará, porque as mais de 30 paradas do orgulho que o Pará produz anualmente têm como referência essa parada. 

 

Na época sequer tínhamos uma coordenadoria LGBTI+ dentro da SEDUJDH, não tínhamos representação nos governos estaduais e municipais, delegacia de combate a crimes discriminatórios, comitê de combate a homofobia dentro da secretaria de segurança pública do estado. 

 

Naquele momento meu sentimento foi de muita alegria e gratidão, porque, afinal, pela primeira vez a gente tava conseguindo fazer um evento nas ruas de Belém e que ele tinha um apelo importante na garantia de direitos da população LGBTI+, foi um momento de extremo contentamento.

 

O que me marcou nele foi o fato de nós sairmos do CAN, a gente sabe muito bem que por conta dos dogmas as igrejas ainda excluem muito os LGBTI+, então sair de lá foi extremamente representativo para nós, mostrou que mesmo que a gente fosse negado por parte dessa igreja e sociedade, a gente estava ali encaminhando a garantia dos nossos direitos e da nossa cidadania, no nosso caráter humano. Então naquele momento a gente se equiparava a todas as outras lutas sociais por reconhecimento de direitos.

 

Bárbara Pastana, ativista dos Direitos Humanos e atuou na organização da 1° Parada do Orgulho LGBTI de Belém

Eu lembro que eu estava cansada, nós do MHB estávamos o tempo todo nas secretarias, levando ofício, pedindo isso e aquilo. No dia em si, para nós enquanto organização, a gente viu aquela multidão, não importa se era 100, 200 ou 500 pessoas, para nós era uma multidão, e foi tão bom, nunca tinha acontecido isso em Belém, a gente não imaginava que poderíamos organizar aquilo. Comparado aos números atuais, foi bem pouco, mas pra gente foi tão grandioso. 

 

Um momento lindo foi quando eu estava em cima do mini trio, na Magalhães Barata, e olhava e via aquele povo lá atrás. E eu olhava aquilo e dizia ´quanta gente, quanta gente colocamos na rua’. Então foi algo inesquecível para nós porque fomos nós que organizamos a primeira manifestação, estávamos ali vivenciando isso. Então foi algo inexplicável, estávamos vendo resultados.

 

A primeira parada foi o pontapé inicial para que pessoas se conhecessem, que tinham afinidade em discutir política mas não tinham como, porque viviam isoladas. Então essas pessoas começam a pensar que a organização do movimento tinha que ser feita para que a gente pudesse trabalhar na construção de políticas, buscando mais direitos e defendendo a nossa comunidade. 

 

Naquele momento foi importante o surgimento da parada porque abriu um leque de possibilidade ao movimento, que veio começar a engatinhar a partir do momento em que surge organizações não governamentais. Antes, vivíamos em um cenário não propício para a população LGBT de Belém, até 2005 e 2006 ainda tínhamos que quebrar muitos tabus na sociedade, vivíamos uma repressão grande, com o movimento não reconhecido e fazendo algo mais isolado. 

 

Hoje percebemos que a comunidade LGBT tem uma entrada maior dentro da sociedade, que o número de participantes nas paradas aumentou muito, principalmente na questão de organizações e participações de outros movimentos sociais, a expansão de hoje do movimento LGBT. Vamos para rua e colocamos até um milhão de pessoas na rua, tanto que somos hoje a segunda maior manifestação política da região norte. 

 

Outra diferença é que hoje nós temos muitas leis e direitos da comunidade, muitas organizações e lideranças, então a amplitude da parada tem essa diferença. Mesmo com todas as conquistas, a luta é árdua e ela não para, temos que estar cobrando da sociedade essa dívida histórica que ela tem com o movimento LGBT, e ela precisa ser paga e vai ser paga com a conquista dos nossos direitos, com as pessoas aceitando as diferenças na sociedade e percebendo que a luta não é por direitos a mais, mas por direitos, nem mais nem menos.

 

Eduardo Benigno, coordenador executivo do Grupo Homossexual do Pará (GHP)

Quando ocorreu a primeira parada LGBTI+ de Belém, vivíamos um cenário favorável para que ela nascer, embora extremamente preconceituoso e sem políticas públicas voltadas à promoção da cidadania LGBTI. Ela ocorreu quando o movimento LGBTI+ de Belém reivindicou direitos por meio do Congresso da Cidade, que era um movimento social de construção e participação política, e teve o Congresso de Homossexuais, em que demandou a promoção das políticas públicas de cidadania para os LGBTIs na capital, e uma das decisões foi a realização da 1° Parada do Orgulho, que na época foi chamada apenas de Parada Gay Belém, com o tema “Toda Forma de Amor Vale a Pena”. 

 

Quando participei da primeira parada ainda não tinha saído do armário para minha família. A gente diz que sai de três armários na vida, o primeiro é a autoaceitação, o segundo é quando você fala abertamente com a sua família e o terceiro é quando nos afirmamos à sociedade. E quando eu vi vários LGBTIs marchando na rua foi extremamente libertário. 

 

O que mais me marcou, o ponto alto da primeira parada, foi quando a gente passou na frente do antigo colégio Cearense e que praticamente toda a escola saiu e marchou junto com a gente, foi extremamente lindo ver aqueles jovens e outras pessoas caminhando junto com a comunidade LGBT+.

 

A 1° Parada foi o divisor de águas para o movimento LGBTI+ de Belém. Na época tínhamos apenas uma instituição não governamental constituída legalmente, o MHB, uma instituição que existia desde a década de 1990, e a partir desse primeiro contato surgiram vários outros grupos, como o Grupo Homosexual do Pará, a COR (Cidadania Orgulho e Respeito) e o Apolo: Grupo Pela Livre Orientação Sexual.

 

Então desse contato inicial ocorreu um fortalecimento das instituições e surgiu o Movimento LGBT do Pará, associação que une outras instituições não governamentais LGBTI+. Com isso, o estado do Pará se tornou um dos que mais celebram o orgulho e movimento LGBTI+, além de ser um dos mais fortalecidos no sentido de políticos públicas, baseadas no tripé da cidadania LGBTI+: a Coordenadoria da Diversidade Sexual, o Conselho da Diversidade Sexual e o Plano de Cidadania LGBTI.

 

Antes dessa primeira já havia sido ensaiado aqui em Belém outra tentativa, inspirada pela parada LGBT+ de São Paulo, que ocorreu em 1997, mas foram manifestações muito tímidas e com o viés econômico. A primeira parada foi muito pequena se comparada as outras, tivemos apenas 500 pessoas participando, na segunda já teve 5.000 mil, na terceira foram 25.000 mil pessoas, na quarta 50.000 mil, e segue. Nós chegamos no patamar de já ter colocado 1 milhão de pessoas nas ruas.

 

Raicarlos Durans, ativista LGBTI+

Eu alcancei o evento quando ele já estava em frente ao colégio Nazaré, fui com um amigo gay e ele ficou atrás de uma mangueira. Foi uma parada andando, com um carrinho pequeno vermelho de som. Ele foi muito importante por ter sido a primeira iniciativa organizada com o governo municipal de apresentar um setor discriminado da sociedade reivindicando políticas pública e espaço na sociedade.

 

Esse momento representou a abertura do governo e da sociedade para começar a fazer as paradas LGBT, na época GLBT, também significou a gente dando a cara para a sociedade mostrando que nós existimos e exigimos respeito. Naquela época só se falava de homossexuais e eu nunca gostei desse termo, ele é muito violento, porque nós não somos homossexuais, algumas pessoas dentro nós são, mas essa identidade política não dialoga com as políticas públicas, com a cidadania e os direitos.

 

O momento que mais me marcou foi esse amigo que ficou escondido atrás da mangueira e eu não entendi o porquê, já que eu sempre fui libertário e não admitia que a gente fosse em um evento daquele e se esconder. Insisti para que ele fosse comigo, mas realmente preferiu ficar escondido e eu segui em frente. Acabei não ficando até o final da parada.

 

Naquela manifestação eu me senti super bem, ao ponto de falar que começamos tarde esse evento e precisamos organizar para reunir o maior número de entidades em que possamos novamente conduzir esse processo em um grande evento. Eu sempre tive a ideia que a gente precisava fazer esses eventos, porque nessa época já ocorria a grande parada de São Paulo e Belém ainda estava se encolhendo, não progredia. Antes da parada a gente já tinha uma lei municipal, de 1998, que fala sobre o Dia Municipal do Orgulho e Consciência Gay, hoje a atualizando seria orgulho e consciência LGBTQI+.

 

As paradas atuais são muito diferentes dessa primeira, elas são marcadas por serem noturnas, megas eventos, com trios fabulosos e caríssimos, muito dinheiro público que poderia ser usado para outras coisas. Eu acredito que aquela tinha um protagonismo político, e as de agora se transformaram em eventos mais festivos e de visibilidade, que também é importante, mas eu acho que precisamos voltar mais às origens, debater mais políticas e a nossa participação na sociedade. Gostaria também de fazer um apontamento: nós precisamos redimensionar os eventos LGBTIs de rua, torna-los mais populares, para convencer a sociedade a nos escutar.

 

Arte de capa: Portal Cultura

Foto 1: Beto Paes/ Arquivo Pessoalt

Foto 2: Bárbara Pastana/ Instagram

Foto 3: Eduardo Benigno/ Arquivo Pessoal

Foto 4: Raicarlos Durans/ Instagram