Goleiro paraense é convocado para a Seleção Brasileira Sub-17
O Pará terá representante na Seleção Brasileira Sub-17 de Futebol Masculino. O goleiro paraense Zafir Ayan, que atualmente veste a camisa do Fluminense (RJ), está entre os convocados pelo técnico Carlos Eduardo Patetuci para dois amistosos contra o Paraguai, que serão realizados nos dias 08 e 11 de dezembro, no estádio Carfem, em Ypané, no Paraguai.
Os dois jogos amistosos fazem parte da segunda etapa de preparação da Seleção Brasileira para o Sul-Americano Sub-17 2026, que será realizado entre os dias 3 e 19 de abril, em local ainda não definido pela Conmebol.
A convocação, além de celebrar a brilhante fase do atleta, foi recebida com surpresa e alegria. “Quando a convocação veio eu pensei principalmente na minha família, que eles que me fortalecem todos os dias, e eu estava muito ansioso pra contar pra eles também. Eu estava no meio do treino quando meus amigos me avisaram que eu fui convocado. Depois disso foi só felicidade”, conta o atleta em entrevista ao Portal Cultura.
Apesar de atualmente estar jogando no clube carioca, Zafir construiu sua base no futebol em escolinhas e times de base de clubes paraenses, entre eles o Pará Clube, o Clube do Remo e o T10 Sport, e reconhece a convocação como uma conquista em sua carreira. “Ser um atleta do Norte do país, especialmente do Pará, e conquistar essa convocação à seleção brasileira acho que é um exemplo de superação, de muito trabalho, até porque no Norte do país a gente não é tão visto como nas outras regiões do Brasil”, ressalta.
Diante da convocação e relembrando a trajetória do filho, Yussef Ayan, pai de Zafir, ressaltou a importância de se investir nos atletas de base do esporte paraense. “Se não tiver uma infraestrutura é muito difícil, aqui pro Norte é muito complicado, porque não tem visibilidade, os campeonatos daqui não são transmitidos, os ‘olheiros’ de fora vêm raras vezes aqui. Agora que isso está mudando e, graças a Deus, o Pará está vivendo o momento dele, pois nunca tivemos tanta visibilidade, nunca foi tão falado na mídia. Então uma coisa vai puxa a outra, e tomara que um dia a gente veja a nossa base mais valorizada, que é o que falta. Alguns atletas às vezes são muito talentosos, são diamantes, mas se não houver lapidação eles não chegam. Essa lapidação a qual eu me refiro não é só um incentivo, não é só o pai levar pro treino, não faltar, é preciso também o fator financeiro para poder pagar uma viagem para participar de uma competição de fora, comprar um material esportivo melhor, porque isso influencia. Então é necessário que tenha um investimento maior na nossa base”, explica.
Trajetória do atleta
Atual goleiro da equipe Sub-17 do Fluminense (RJ), Zafir iniciou no futebol em solo paraense ainda criança. Em entrevista ao Portal Cultura, o pai de Zafir, Yussef Ayan, relembrou toda a trajetória e destacou a importância de todos os clubes que fizeram parte da trajetória do filho. “Não tem ninguém que foi mais importante ou menos. Do Pará Clube ao T10 Sport, todos têm seu protagonismo, pois todo mundo que contribuiu merece destaque”, ressalta.
História que começa quando Zafir tinha 6 anos de idade e iniciou como zagueiro na escolinha do Pará Clube, em Belém, juntamente com o irmão mais velho, que era goleiro no time. Devido a uma enfermidade que acometeu o irmão, Zafir acabou assumindo o gol e já demonstrou habilidade na posição.
Aos 7 anos de idade foi matriculado da escolinha do Clube do Remo, e já no primeiro mês de atividade o seu talento foi percebido pelos professores, que logo o selecionaram para compor a equipe de futsal do clube.
Aos 12 anos, além do futsal, começou a ter o contato com o futebol de campo do Clube do Remo num projeto embrionário, mas que não se aprimorou. Aos 13 anos seguiu no futsal do clube azulino, porém, nessa época, entrou também para o futebol de campo no projeto T10 Sport, onde começou a disputar campeonatos dentro e fora do Estado.
Ao perceber o talento do filho e a partir de orientações dos treinadores, o pai incentivou o atleta a investir em uma das duas modalidades e, aos 14 anos, Zafir deixou o futsal para se dedicar ao futebol de campo pelo projeto T10 Sport. “Foi aí que ele começou a jogar competições importantes, nas quais vinham os ‘profissionais da captação’, os ‘olheiros’ de outros estados para avaliar os jogadores, e ele começou a chamar a atenção pelo seu bom desempenho, talento e até pela altura, já que ele foi sempre um pouco mais alto para a idade dele”, lembra Yussef.
Mas a carreira de Zafir também teve um momento de obstáculos. O primeiro teste para um clube de fora foi para o Grêmio (RS), porém, após avaliação do clube, ele não alcançou a aprovação. “Ele ainda não tinha o preparo suficiente, porém, essa baixa serviu para que a gente pudesse avaliar no que poderíamos melhorar, ou seja, isso serviu de incentivo para que não desistíssemos e continuássemos buscando por esse sonho. Eu, como pai, me senti muito culpado, mas busquei não desanimar, avaliar e investir mais no talento do meu filho”, relembra.
A força e a resiliência fizeram com que essa história ganhasse novos caminhos em 2023, na Copa Brasileirinho disputada em Minas Gerais, quando Zafir se destacou durante o campeonato e despertou o interesse de vários clubes, entre eles o Fluminense. O clube carioca levou o atleta para uma avaliação de duas semanas e ele acabou ficando e assumindo a vaga de terceiro goleiro do Sub-17. Após uma lesão grave do goleiro titular, Zafir ficou como segundo goleiro, mas com o seu bom desempenho foi premiado com a titularidade da posição, na qual permanece até hoje.
A convocação para a Seleção Brasileira Sub-16 não só reconhece o talento e a trajetória de resiliência do atleta, mas é um exemplo de que é possível conquistar um objetivo quando se dedica e se investe nele. Ao olhar para sua trajetória, Zafir deixa sua mensagem para os outros atletas. “A mensagem que eu deixo aos outros atletas do Norte, especialmente os jovens de escolinha e de times da base, é pra que eles não desistam, que possam seguir firmes, trabalhando sempre, sempre dando o máximo que uma hora a oportunidade chega e Deus abençoa”, reforça.