Muito mais que um passatempo: colecionar figurinhas da Copa do Mundo une gerações e memórias afetivas
Verdadeiro fenômeno cultural, a tradição está presente em diversos países mobilizando pessoas de todas as idades a cada mundial de futebol.
A tradição de colecionar figurinhas da Copa do Mundo movimenta gerações a cada realização do torneio, misturando a paixão pelo futebol com a emoção de completar o livro ilustrado. A busca pelos cromos do mundial da Fifa se transformou ao longo dos anos em um curioso fenômeno cultural que mexe com a memória afetiva de pessoas de todas as idades ao redor do planeta.
Historiadores indicam que a febre das figurinhas foi iniciada pela indústria dos cigarros, nos Estados Unidos, durante o final do século XIX, a exemplo da American Tobacco que passou a incluir pequenos cartões ilustrados com fotografias e gravuras impressas nos maços de cigarros vendidos. Dos EUA, o hábito se espalhou para países da Europa, se tornando um passatempo de massa.
A FEBRE NO BRASIL
Segundo o Doutor em Comunicação e Cultura, Wilson de Oliveira Neto, o primeiro álbum de figurinhas surgiu no Brasil no início do século XX, mais especificamente em 1900, com uma publicação lançada pela tabacaria Estrela de Nazareth, contendo 60 figurinhas de bandeiras de diversos países.
Ainda de acordo com Neto, décadas após, em 1930, surgiram as estampas criadas para impulsionar as vendas do sabonete eucalol, produzido pela empresa Paulo Stern & Cia Ltda. As primeiras séries traziam imagens de temas brasileiros e ligados à cultural de outros países.
Já o hábito de colecionar cromos de futebol, conforme o jornalista e escritor Marcelo Duarte (autor do livro “O álbum dos álbuns de figurinhas da Copa”), teve início no país em 1934 com as Balas Vênus que incluía imagens de jogadores de futebol nos pacotes de doces vendidos.
Anos mais tarde, em 1950, mesmo ano em que o Brasil sediou a Copa pela primeira vez, Duarte cita também que foi lançado no país o primeiro álbum dedicado a uma Copa do Mundo. Produzida pela fábrica de balas “A Americana”, a coleção "Balas Futebol" trazia cromos com as imagens das seleções participantes do mundial.
Na década de 80, mais precisamente em 1982, por ocasião da Copa da Espanha, e em 1986, ano da segunda Copa do Mundo no México, o chiclete Ping Pong - muito popular à época no Brasil, lançou uma coleções com adesivos colecionáveis que vinham dentro das embalagens da goma de mascar.
Os cromos não possuiam um álbum específico e, as versões de 1986, foram impressas em dois tipos: as figurinhas ditas individuais, que vinham nos chicletes Ping Pong comuns, e os mascotes, bandeiras dos países e as duplas de jogadores, contidas no chiclete 2 em 1, uma versão maior e em duas camadas do doce.
ERA PANINI
O que começou como brindes de balas, chicletes e cigarros se transformou em um fenômeno global a partir da década de 1970, ano da primeira Copa do México, quando a editora italiana Panini passou a publicar o álbum.
Fundada na cidade de Modena, Itália, em 1961, pelos irmçaos Giuseppe e Bruno Panini, ao longo dos anos a marca padronizou o formato e a distribuição das figurinhas e dos álbuns para todas as edições do mundial de futebol da Fifa, tornando a mania de colecionar as estampas do campeonato em uma tradição presente em diversos países até os dias de hoje.
Desse hábito surgiu, inclusive, feiras de trocas de cromos que, de brincadeiras infantis, evoluíram para grandes eventos sociais que unem pessoas de todas as idades em praças, parques e outros espaços públicos.

