Corpo de Mestre Damasceno recebe homenagens no Marajó
Velório acontece nesta quarta-feira (27), em Salvaterra, sua terra natal, onde também será realizado o enterro nesta quinta-feira (28).
Após velório realizado no Museu do Estado do Pará, em Belém, o corpo de Mestre Damasceno seguiu na manhã desta quarta-feira (27) para sua terra natal, a cidade de Salvaterra, no arquipélago do Marajó, onde será velado no prédio da Câmara Municipal.
Assim como ocorreu em Belém, a homenagem deve reunir grande número de fãs e artistas para celebrar a vida e a obra de um dos maiores nomes da música brasileira e marajoara que faleceu na madrugada dessa terça-feira (26), em Belém, aos 71 anos de idade.
O enterro está marcado para acontecer na quinta-feira (28), no Cemitério Municipal São Pedro, também em Salvaterra. As informações foram divulgadas no perfil oficial de Mestre Damasceno no Instagram.
Músico e mestre da cultura popular, Damasceno Gregório dos Santos, o Mestre Damasceno, nasceu em 1954 na comunidade quilombola do Salvá, em Salvaterra. Cego desde os 19 anos de idade, ele dedicou mais de cinco décadas de sua vida às manifestações culturais tradicionais do Marajó, como o carimbó, as toadas e as poesias orais.
Idealizador do Búfalo-Bumbá de Salvaterra, folguedo junino que reúne elementos do teatro popular, da natureza amazônica e influências quilombolas, Mestre Damasceno também foi o criador do grupo Carimbó Nativos Marajoara, com o qual gravou quatro álbuns.
Ao longo da sua carreira, lançou mais de 400 músicas e seis discos, tornando a sua presença consolidada não apenas no cenário da música regional, mas também nacional, tendo recebido em maio deste ano, do Governo Federal, a Ordem do Mérito Cultural, a mais alta honraria da cultura brasileira, concedida pelo Ministério da Cultura.
Outro feito do Mestre que repercutiu nacionalmente, foi o título de vice-campeão do Carnaval 2025 do Rio de Janeiro, como um dos compositores do samba-enredo “Pororocas Parawaras: As Águas dos Meus Encantos nas Contas dos Curimbós”, da agremiação Grande Rio.
No Pará, entre os vários reconhecimentos recebidos em vida, Damasceno foi homenageado este ano na 28ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes. Em 2023, teve sua obra reconhecida como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial. No mesmo ano recebeu a Medalha do Mérito Cultural e Patrimônio de Belém (Medalha Mestre Verequete) e o Título Honorífico de Cidadão de Belém, pela Câmara Municipal da cidade.