Artista paraense PV Dias participa de exposição internacional em Nova York
A Amazônia ganha destaque no circuito internacional de arte contemporânea a partir desta quarta-feira (3). O artista paraense PV Dias integra a exposição “Amazonia Açu”, em cartaz até 18 de abril de 2026 na Americas Society, em Nova York (EUA). A mostra reúne obras de 34 artistas e coletivos de nove países da Pan-Amazônia, em um recorte que evidencia três décadas de criação artística.
Com mais de 50 trabalhos – entre pinturas, esculturas, vídeos, fotografias, cerâmicas e têxteis – a exposição celebra a diversidade cultural da região e ressalta a Amazônia como território de potência estética e simbólica. O processo curatorial foi conduzido de forma colaborativa, com representantes de diferentes países, incluindo o paraense Mateus Nunes, ao lado de Elvira Espejo (Bolívia), María Wills (Colômbia) e Grace Aneiza Ali (Guiana). No recorte brasileiro, além de PV Dias, participam os artistas maranhenses Gê Viana e Thiago Martins de Melo, e o amazonense Hélio Melo.
A obra em exibição
PV Dias apresenta o desenho “Interior de Uma Casa”, no qual sobrepõe figuras de pessoas negras a uma paisagem urbana de prédios e concreto. Inspirada na pintura oitocentista “Interior de Uma Casa do Baixo Povo”, atribuída a Joaquim Cândido Guillobel, a obra desloca corpos negros para uma escala monumental, refletindo sobre a relação entre aprisionamento e ocupação nos espaços urbanos.
A peça já percorreu instituições na Suíça e no Rio de Janeiro, consolidando-se como uma das criações de maior destaque do artista paraense no cenário internacional.
Trajetória
Nascido em Belém, em 1994, PV Dias vive no Rio de Janeiro e possui formação plural. Estudou na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, é graduado em Comunicação Social pela Universidade da Amazônia (Unama), mestre e doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Sua produção abrange pintura, fotografia, vídeo e arte digital, sempre em diálogo com arquivos históricos e narrativas afro-diaspóricas.
Com carreira internacional em expansão, já expôs na França, Suíça e nos Estados Unidos. Suas obras integram acervos do Museu de Arte do Rio (MAR), do Museu Nacional de Belas Artes e do Centro Cultural São Paulo (CCSP). Representado pela Galeria Verve, de São Paulo, participa também de mostras em países como a França e mantém projetos em Belém e no Rio de Janeiro, incluindo a abertura do Museu das Amazônias.
Programação paralela
Além da exibição das obras, a “Amazonia Açu” contará com palestras, oficinas, performances, visitas guiadas e o lançamento de um catálogo ilustrado com ensaios críticos dos curadores. A entrada é gratuita.
Desde os anos 1960, a Americas Society se destaca como um espaço dedicado à promoção da diversidade cultural das Américas e, até abril de 2026, será palco de um dos mais abrangentes panoramas da arte amazônica já apresentados no exterior.