Cortejo Visagento transforma o Guamá em palco de cultura, mistério e resistência

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Com fantasias, arte e consciência ambiental, evento chega à 7ª edição celebrando a identidade popular do bairro e promovendo reflexões sobre sustentabilidade e pertencimento.
Foto: Divulgação/ Cortejo Visagento

Nesta sexta-feira (31), o bairro do Guamá, em Belém, se enche de mistérios e celebração com a 7ª edição do Cortejo Visagento, um dos eventos mais simbólicos da cultura paraense. A concentração começa às 18h no Cemitério Santa Izabel, de onde o cortejo segue até a Praça Benedito Monteiro, com programação até às 22h, incluindo concurso de fantasias e apresentações culturais.

No ano em que Belém será sede da COP 30, o evento traz como tema “Lutar e resistir contra os predadores da vida disfarçados de progresso”. A proposta é ampliar o debate sobre os impactos sociais e ambientais do desenvolvimento, como o despejo de famílias e as catástrofes urbanas provocadas pelas mudanças climáticas.

Com fantasias e adereços produzidos a partir de materiais reutilizáveis e oficinas voltadas à reciclagem e criatividade, o Cortejo reafirma seu compromisso com a sustentabilidade. Mais do que uma celebração, o evento se consolida como um espaço de educação ambiental e social, onde arte, consciência e pertencimento caminham lado a lado.

O Cortejo conta com a participação de grupos artísticos locais e do tradicional Boi Marronzinho, ícone da cultura popular amazônica. O projeto é realizado com apoio do edital 03/2025 de Pontos e Pontões de Cultura da PNAB e do projeto “Histórias e raízes: construindo cidadania e consciência ambiental no bairro do Guamá”, apoiado pelo Fundo Dema.

Cultura, identidade e resistência

Mais do que um evento, o Cortejo Visagento é uma afirmação de identidade e um lembrete de que a arte pode — e deve — ser instrumento de transformação social e ambiental. Criado em 2017, o Cortejo Visagento nasceu com o propósito de valorizar a cultura popular e as memórias tradicionais do Guamá, um dos bairros mais emblemáticos de Belém. O evento resgata figuras lendárias da Amazônia, como a Matinta Pereira, e propõe uma reflexão sobre as raízes culturais locais, em contraponto à crescente influência de tradições estrangeiras, como o Halloween.

“O Guamá é muito mais do que os estigmas que tentam associar a ele. É um território de saberes, cultura e resistência”, afirma Tereza Oliveira, coordenadora de projetos do Espaço Cultural Nossa Biblioteca (ECNB), entidade responsável pela realização do cortejo.

Além de promover o diálogo entre tradição e contemporaneidade, o evento propõe também a ressignificação do Cemitério Santa Izabel como um espaço de memória e pertencimento, transformando o local em cenário de celebração artística e reflexão coletiva.


Serviço

VII Cortejo Visagento – “Lutar e resistir contra os predadores da vida disfarçados de progresso”

Concentração: Cemitério Santa Izabel (Guamá)
Destino: Praça Benedito Monteiro
Data: 31 de outubro de 2025
Horário: 18h às 22h
Participação: Boi Marronzinho e grupos culturais do bairro
Realização: Espaço Cultural Nossa Biblioteca – ECNB
Apoio: PNAB e Fundo Dema