Presidente da COP30, Corrêa do Lago, garante que levará reivindicações da Cúpula dos Povos à conferência.

Compartilhe
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Durante o encerramento da Cúpula dos Povos, no domingo (16), o presidente da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), embaixador André Corrêa do Lago, declarou que as reivindicações apresentadas na Cúpula serão levadas às reuniões de alto nível da COP programadas para esta semana.

O presidente da conferência recebeu do comitê político da Cúpula dos Povos a carta final com sugestões dos participantes e cobrança por maior participação popular nos debates sobre a crise de emergência climática. Corrêa do Lago respondeu ressaltando as dificuldades de negociação em torno de diversos temas, mas disse acreditar que houve maior participação da sociedade.

Além disso, o embaixador recebeu a Carta da Cúpula das Infâncias, um documento resultado do trabalho de aproximadamente 700 crianças e adolescentes na Cúpula dos Povos. As crianças usaram o texto para expressar seu grande temor pelo futuro, pedindo ações práticas e efetivas para combater a crise de emergência climática.

A carta final da Cúpula dos Povos critica o que os participantes classificaram como “falsas soluções” para o enfrentamento da emergência climática. Segundo o documento, o crescimento da crise climática tem como principal motor o sistema de produção capitalista. Por isso, a carta sublinha que as comunidades periféricas suportam o maior peso dos eventos climáticos extremos e do racismo ambiental.

O texto final da cúpula lembra que as empresas transnacionais, a exemplo das indústrias de mineração, energia, armas, agronegócio e Big Techs, são as principais responsáveis pela catástrofe climática.

A carta solicita medidas cruciais como a demarcação de terras para povos indígenas e tradicionais, reforma agrária e o fomento à agroecologia. Pede também o fim dos combustíveis fósseis e exige um financiamento público voltado a uma transição justa, a ser custeado pela taxação de corporações, do agronegócio e dos mais ricos. As demandas se completam com o pedido de fim das guerras e uma maior voz para os povos nas discussões.

A Cúpula dos Povos reuniu cerca 70 mil pessoas de movimentos sociais locais, nacionais e internacionais, povos originários e tradicionais, camponeses, indígenas, quilombolas, pescadores, extrativistas, marisqueiras, trabalhadores da cidade, sindicalistas, população em situação de rua, quebradeiras de coco babaçu, povos de terreiro, mulheres, comunidade LGBTQIAPN+, jovens, afrodescendentes, pessoas idosas, dos povos da floresta, do campo, das periferias, dos mares, rios, lagos e mangues.

A Cúpula dos Povos, considerada o maior espaço de participação social da conferência climática, começou em 12 de novembro, paralelamente à COP30, já com críticas à falta de maior participação popular no evento oficial. As cerca de 1.300 organizações e movimentos participantes acusaram países e tomadores de decisão, sobretudo os de nações ricas, de omissão ou de propor soluções ineficazes, colocando em risco a meta de 1,5ªC estabelecida pelo Acordo de Paris.

Na abertura, foi realizada uma “barqueata” na orla da capital paraense, com centenas de barcos. Eles navegaram pela Baía do Guajará em defesa da Amazônia e dos povos tradicionais.

No sábado (15), cerca de 70 mil pessoas participaram da Marcha Mundial pelo Clima, manifestação que tomou as ruas de Belém com uma amostra expressiva da diversidade cultural e social do povo amazônico.

Marcada por cinco dias de debates e mobilizações em Belém, a Cúpula dos Povos chegou ao fim com um “banquetaço” na Praça da República, no centro da cidade. A celebração cultural, aberta ao público, contou com a distribuição de comida fornecida pelas cozinhas comunitárias.

Com informações da Agência Brasil