Pesquisa utiliza a inteligência artificial para auxiliar no diagnóstico precoce do câncer de colo do útero

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Estudo vem sendo desenvolvido em parceria entre a Universidade Federal do Pará e a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia do Hospital Barros Barreto.

Foto: Sérgio Moraes / Fundação Guamá.

Um projeto de pesquisa realizado pelo campus da Universidade Federal do Pará, em Belém, em parceria com a Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacom), do Hospital Universitário Barros Barreto, vem utilizando a inteligência artificial (IA) para agilizar os exames que diagnosticam casos de câncer de colo do útero.

O Projeto intitulado "Brasil++: Rede de Cooperação em Inteligência Artificial e Saúde para o Auxílio ao Diagnóstico Precoce de Câncer Cervical" visa reduzir o tempo de espera do resultado de exames de câncer de colo do útero. Essa espera, que pode chegar a 45 dias, pode ser reduzida para apenas um. Assim, além de diminuir o tempo para a obtenção do diagnóstico, faz com que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível.

Segundo Evelin Helena Cardoso Gomes, vice-coordenadora da pesquisa, a criação de um sistema com base na IA partiu da inquietude de funcionários da Unacom interessados em obter um meio de agilizar os resultados e que ao mesmo tempo fosse acessível a todos, sobretudo nas áreas de difícil acesso à saúde no Pará.

A partir da IA, o programa reconhece possíveis células cancerígenas, facilitando o trabalho da análise laboratorial. Isso permite fazer uma triagem capaz de indicar quais exames devem ser priorizados pela análise feita por humanos em laboratório e a classificação do tipo de anormalidade encontrada, acrescentou Evelin.

Com 95% de eficácia comprovada, o sistema está pronto para ser utilizado. O objetivo atual dos pesquisadores é o de estabelecer parcerias junto às secretarias municipais e a estadual de Saúde do Pará, a fim de implementar o uso da ferramenta.

Câncer de Colo do Útero

De acordo com o Ministério da Saúde, o câncer de colo uterino é um dos tipos mais comuns de câncer em mulheres e se desenvolve na região inferior do útero, o colo. A doença está fortemente associada à infecção pelo papilomavirus humano (HPV).

Dados da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), mostram que de janeiro até a metade do mês de agosto de 2025, o Pará registrou 174 casos da doença. Em 2024, foram 720 casos.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, a prevenção do câncer de colo do útero inclui a vacinação contra o HPV e a realização periódica de exames como o Papanicolau e o teste molecular DNA-HPV, implantado em maio deste ano no Sistema Único de Saúde.