Ultraprocessados já são quase um quarto da alimentação dos brasileiros, diz pesquisa
Estudos liderados por pesquisadores da Universidade de São Paulo alertam sobre os riscos para a saúde em função do consumo excessivo desses produtos.
A participação de alimentos ultraprocessados na alimentação dos brasileiros mais que dobrou desde os anos 80, passando de 10% para 23%. O alerta vem de uma série de artigos publicados neste mês de novembro por mais de 40 cientistas, liderados por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).
A coletânea foi publicada na revista Lancet e revela que este não é um fenômeno isolado do Brasil. Dados de 93 países mostram que o consumo de ultraprocessados aumentou ao longo dos anos em todos, à exceção do Reino Unido, onde se manteve estável em 50%. O país europeu só é superado nessa proporção pelos Estados Unidos, onde os ultraprocessados perfazem mais de 60% da dieta.
Segundo Carlos Monteiro, pesquisador do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP e líder do trabalho, esse consumo crescente está reestruturando as dietas em todo o mundo, e não ocorre por acaso.
Essa mudança na forma como as pessoas se alimentam é impulsionada por grandes corporações globais que obtêm lucros extraordinários. Com vendas anuais globais de US$ 1,9 trilhão, os ultraprocessados representam o setor mais lucrativo da indústria alimentícia e esse cenário é apoiado por fortes estratégias de marketing e lobby político que bloqueiam políticas públicas de promoção da alimentação adequada e saudável, disse Monteiro.
RISCOS PARA A SAÚDE
As evidências científicas produzidas apontam que dietas ricas em ultraprocessados estão associadas à ingestão excessiva de calorias, pior qualidade nutricional e maior exposição a aditivos e substâncias químicas nocivas, o que pode levar a aumentos nas taxas globais de obesidade, diabetes tipo 2, câncer colorretal e doença inflamatória intestinal.
O QUE SÃO ULTRAPROCESSADOS?
Alimentos ultraprocessados são produtos comerciais resultantes da mistura de alimentos in natura baratos com aditivos químicos, altamente modificados por processos industriais. Esses aditivos têm a função de torná-los altamente duráveis, prontos para consumo e super palatáveis. Exemplo: biscoitos recheados, refrigerantes, macarrão instantâneo e iogurtes saborizados.
RECOMENDAÇÕES
Para fazer frente ao problema, os pesquisadores recomendam:
- A diminuição do consumo de ultraprocessados;
- Responsabilização das grandes empresas que promovem dietas não saudáveis;
- Informações claras nas embalagens sobre o uso de aditivos como corantes e aromatizantes, bem como excesso de gordura, sal e açúcar;
- Proibição desses produtos em instituições públicas, como escolas e hospitais;
- Restrições mais rigorosas à publicidade, especialmente às que são direcionadas ao público infantil; e
- Aumentar a disponibilidade de alimentos in natura.
Com informações da Agência Brasil.